Agro brasileiro precisa investir R$ 148 bilhões para zerar déficit de armazenagem
Segundo o CEO da Kepler Weber, Bernardo Nogueira, o país teria de construir entre cinco mil e sete mil novas unidades armazenadoras para ampliar a capacidade estática
O Brasil precisaria investir cerca de R$ 148 bilhões para zerar o déficit de armazenagem de grãos, segundo a Kepler Weber. A estimativa da companhia considera que o país registre uma safra de 357 milhões de toneladas em 2025/26, com base em dados da consultoria Cogo, enquanto a capacidade estática de armazenagem brasileira atende cerca de 62,5% da produção estimada.
Dessa forma, 135 milhões de toneladas de grãos não possuem espaço adequado para armazenagem. Em entrevista para o Valor Econômico, o CEO da Kepler Weber, Bernardo Nogueira, afirmou que o Brasil mantém cerca de 19 mil unidades armazenadoras e constrói entre 1,5 mil e 2 mil estruturas por ano.
Segundo o executivo, o país precisaria de mais cinco mil a sete mil unidades para zerar o déficit atual. Essa expansão concentraria em um único ano o que demoraria cerca de anos para ser realizado.
Nogueira ressaltou que a safra de grãos cresce em descompasso com o avanço da capacidade estática de armazenagem no país. Enquanto a produção avança, em média, 4,4% ao ano, a expansão da capacidade de estocagem cresce 2,4% no mesmo período.
Conforme dados da pesquisa de estoques do IBGE (2022), o Brasil mantinha uma capacidade estática de armazenagem de granéis sólidos agrícolas de aproximadamente 160 milhões de toneladas. O Mato Grosso responde por 26% dessa oferta, com 42,5 milhões de toneladas destinadas à armazenagem.
O executivo ainda alertou sobre outro problema em relação à armazenagem de produção agrícola no país: apenas 16% das unidades armazenadoras estão nas propriedades rurais, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse percentual chega a 65% nos Estados Unidos.
“Armazenar longe das propriedades aumenta o custo de deslocamento da produção até as cerealistas, tradings, cooperativas, onde está a maior parte da capacidade estática aqui”, acrescentou.
Essa visão é ressaltada pelo “Diagnóstico da Armazenagem Agrícola no Brasil”, elaborado pela CNA em parceria com o ESALQ-LOG (Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura — ESALQ/USP).
O estudo revelou que, sem local suficiente para armazenar, a colheita de grande volume de grãos aumenta a demanda por caminhões que se dirigem aos terminais, formando filas enquanto aguardam para descarregar.
Segundo Nogueira, a tendência é que esse cenário mude ao longo da próxima década. “Acredito que isso vai mudar na próxima década [no Brasil], porque a nossa agricultura é muito jovem. A maioria do Cerrado brasileiro tem agricultores que estão na primeira ou segunda geração”, acrescentou.
Fonte: Ana Beatriz Rodrigues/Valor Econômico
Via: Agência Logística de Notícias
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