Mercado de carbono avança enquanto logística busca reduzir emissões na origem

Avanço da agenda climática no país amplia debate sobre compensação e reforça a necessidade de mudanças operacionais para cortar emissões de forma efetiva

Mercado de carbono avança enquanto logística busca reduzir emissões na origem
Photo: (Divulgação) - Reprodução/Freepik

O mercado de carbono começou a ganhar forma no Brasil, mas a descarbonização da logística ainda está longe de ser resolvida apenas com compensação de emissões. O país instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), por meio da Lei nº 15.042, de 11 de dezembro de 2024. Em janeiro deste ano, o Ministério da Fazenda anunciou o início da construção do Registro Central do sistema, que é a infraestrutura computacional capaz de operacionalizar o funcionamento do mercado regulado, do recebimento de dados de emissões à gestão dos ativos negociados no SBCE.

O avanço regulatório dá novo peso à agenda climática nas empresas, inclusive no transporte de cargas. Mas o amadurecimento deste mercado não elimina a questão central para a logística: a redução na origem continua sendo mais decisiva do que a compensação ao final do processo. O carbono passa a ser também uma discussão sobre frota, rotas, matriz de transporte e eficiência operacional.

Um estudo publicado em 2025, na revista científica Aracê, trata a nova lei como um importante marco para o país, mas pondera que a consolidação de um sistema robusto ainda depende de segurança regulatória, efetividade ambiental e estrutura institucional capaz de dar credibilidade ao mercado. Com isso, reforça que, quando a compensação anda sozinha, sem redução real das emissões, ela corre o risco de funcionar mais como sinalização ambiental do que como transformação concreta.

O portal especializado no setor, Modal Connection, indica que o primeiro movimento deve ser a redução das emissões, a partir da análise detalhada da frota, otimização de roteiros e modernização dos veículos. A compensação entra como alternativa quando a operação já avançou no que era possível cortar diretamente.

A mensuração é um fator importante. Ela pode ser calculada com base em variáveis como distância percorrida, porte do veículo, potência, peso da carga e condições das estradas, além do uso de sensores. O GHG Protocol e o GLEC Framework são referências padronizadas para o cálculo das emissões em diferentes modos de transporte e operações logísticas. Sem isso, a compensação tende a ficar mais frágil.

Ferrovias e cabotagem aparecem como solução

Entre as soluções mais consistentes, ferrovia e cabotagem ganham peso. Em artigo publicado em 2025 na revista Future Transportation, a revisão sobre transporte intermodal aponta que configurações combinando rodovia e ferrovia ou rodovia e hidrovias apresentam intensidade de carbono substancialmente menor do que o transporte exclusivamente rodoviário, com reduções médias em torno de 46% e podendo chegar a 45% a 60% em determinadas rotas.

O mesmo texto destaca que o transporte rodoviário gera mais de 100 vezes o CO2 por unidade de distância de carga do que o transporte marítimo. A comparação ajuda a recolocar a cabotagem e a ferrovia no centro da discussão sobre descarbonização logística, não apenas como alternativas complementares, mas como caminhos efetivos para reduzir a intensidade de carbono do transporte de cargas.

 

Fonte:  Ana Beatriz - Modal Connection 

Via: Agência Logística de Notícias

Contatos: +55 91 98112 0021

contato@agencialogistica.com.br