Nova tarifa dos EUA altera cenário competitivo para as rochas naturais brasileiras
Associação Brasileira de Rochas Naturais aprofunda análise sobre a posição do Brasil frente a seus principais concorrentes e acompanha definições operacionais ainda pendentes.
Vitória (ES), 27 de julho de 2026 – A nova tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos no âmbito da investigação relacionada ao trabalho forçado fortalece a posição competitiva da Itália e da Índia em relação às rochas naturais brasileiras no mercado norte-americano. Enquanto a Itália permaneceu fora da investigação e a Índia foi enquadrada na alíquota de 10%, o Brasil passou a integrar a faixa de 12,5%, ao lado de China e Turquia.
Na avaliação da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), a medida amplia os desafios para o setor, que desde 22 de julho já convive com uma tarifa de 25% aplicada a parte dos produtos brasileiros de rochas naturais no âmbito de outra investigação comercial conduzida pelos EUA. Embora as duas medidas possam vir a ser aplicadas de forma cumulativa, chegando a 37,5%, essa possibilidade ainda depende de orientações da U.S. Customs and Border Protection (CBP), autoridade aduaneira norte-americana.
A nova configuração tarifária reposiciona dois importantes concorrentes do Brasil no mercado norte-americano. A Itália, principal fornecedora de mármores e rochas naturais de alto valor agregado, preservou sua condição de acesso ao mercado dos Estados Unidos sem a incidência da nova tarifa. Já a Índia, referência mundial na produção de granitos, passou a contar com uma alíquota inferior à brasileira (10%), ampliando sua competitividade em segmentos nos quais disputa espaço diretamente com as empresas nacionais. Segundo o governo norte-americano, o tratamento diferenciado concedido à Índia decorre das medidas adotadas pelo país durante a investigação para fortalecer seus mecanismos de combate ao trabalho forçado.
China e Turquia mantêm condições semelhantes
Para China e Turquia, os efeitos competitivos tendem a ser mais limitados, uma vez que ambos os países passaram a compartilhar a mesma alíquota de 12,5% aplicada ao Brasil. No caso chinês, entretanto, o ambiente de negócios continua sendo influenciado por outras medidas comerciais adotadas anteriormente.
Além de liderar a produção mundial de rochas naturais, a China desempenha papel estratégico na cadeia global ao importar grandes volumes de blocos, especialmente do Brasil, para beneficiamento e posterior reexportação. Em 2025, o país respondeu por 17,6% das exportações brasileiras de rochas naturais, com compras de US$ 260,1 milhões, concentradas principalmente em blocos de quartzito e granito.
Implementação ainda depende da Receita Federal dos EUA
“Embora a decisão política já esteja consolidada, diversos aspectos operacionais ainda precisam ser regulamentados pela CBP”, reforçou o presidente da Centrorochas, Tales Machado. Entre os principais pontos pendentes estão a metodologia de cobrança quando coexistirem diferentes medidas da Section 301, a operacionalização no sistema aduaneiro norte-americano, o tratamento de mercadorias em trânsito, a aplicação das exceções previstas na decisão e esclarecimentos sobre códigos tarifários específicos. Historicamente, medidas dessa natureza costumam ser acompanhadas por orientações técnicas complementares nas semanas seguintes à sua entrada em vigor.
Setor amplia atuação diante de um cenário global mais complexo
Desde o início das investigações conduzidas pelo governo norte-americano, a Centrorochas estruturou uma frente permanente de acompanhamento dos desdobramentos da política comercial nos Estados Unidos. Segundo Fábio Cruz, vice-presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais, “o trabalho reúne consultoria especializada em Washington, interlocução com parceiros institucionais e empresariais norte-americanos e monitoramento contínuo das decisões dos órgãos responsáveis pela implementação das medidas. Esse acompanhamento tem permitido ao setor antecipar cenários, interpretar aspectos regulatórios complexos e orientar as empresas brasileiras com maior segurança técnica”, completou.
Para o presidente da Centrorochas, o novo cenário exige atenção. "A diferença tarifária representa um fator que precisa ser acompanhado de perto, especialmente em um mercado tão estratégico para nós quanto os Estados Unidos. No entanto, temos um ponto favorável: a decisão de compra não é definida apenas pela tarifa. O mercado também valoriza atributos como exclusividade dos materiais, qualidade, disponibilidade e segurança no fornecimento. E isso o Brasil não perdeu", pontuou Tales.
Na mesma linha, o vice-presidente Fábio Cruz, destaca que o cenário vai além dos impactos tarifários e evidencia a crescente influência da geopolítica sobre o comércio internacional. "O setor brasileiro de rochas naturais está cada vez mais inserido em um ambiente global onde fatores geopolíticos influenciam diretamente os negócios. Não basta apenas produzir bem. Precisamos compreender os movimentos internacionais, manter interlocução permanente com os principais mercados e fortalecer nossa atuação institucional para defender a competitividade das empresas brasileiras", explicou.
Como fica o setor brasileiro de rochas naturais
- Quartzitos: não foram incluídos na tarifa adicional de 25%, em vigor desde 22 de julho e decorrente da investigação específica contra o Brasil. Com a nova decisão relacionada ao trabalho forçado, passam a estar sujeitos à tarifa adicional de 12,5%.
- Granitos, mármores, ardósias e outros minerais não-metálicos: permanecem sujeitos à tarifa adicional de 25%, já em vigor. Além disso, foram alcançados pela nova tarifa de 12,5%, cuja forma de aplicação conjunta ainda depende de regulamentação da U.S. Customs and Border Protection (CBP), podendo chegar a uma taxa de 37,5%.
Fonte: Karina Porto Firme - Head de Comunicação da Centrorochas
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