Uma em cada 7 espécies de peixes de água doce do mundo está na Bacia Amazônica
Relatório da TNC mostra que local abriga mais de 2.700 espécies registradas, e que ainda é possível reverter ameaças aos rios
O “Super El Niño” que deve se estabelecer até fevereiro de 2027 ameaça causar impactos em grande parte do Brasil, com efeitos de longo prazo sobre áreas ecologicamente sensíveis.
Pensando em disseminar a importância da maior bacia hidrográfica do mundo, a The Nature Conservancy (TNC) e seus parceiros publicaram nesta terça-feira (8) um relatório inédito que destaca tanto a biodiversidade de peixes de água doce da Bacia Amazônica quanto a dimensão da oportunidade de conservação para as pessoas e a natureza.
O relatório Peixes Esquecidos da Amazônia revela que a vasta bacia hidrográfica abriga mais de 2.700 espécies de peixes registradas, o equivalente a cerca de uma em cada sete espécies de peixes de água doce do planeta, consolidando sua condição como o sistema de água doce com a maior biodiversidade do mundo.
O documento conclui que a Amazônia continua sendo um dos últimos ecossistemas de água doce de relevância global onde ainda é possível evitar a perda de biodiversidade em larga escala.
O relatório também representa a primeira análise de toda a Amazônia a combinar evidências científicas e conhecimento ecológico tradicional, revelando o papel vital dos peixes de água doce na manutenção dos ecossistemas, da segurança alimentar, das culturas, dos meios de subsistência e das economias em toda a bacia.
Ameaças à Bacia Amazônica
O estudo da TNC também destaca os inúmeros riscos à Bacia Amazônica causados pela atividade humana. Entre as diversas ameaças estão o desenvolvimento hidrelétrico, o desmatamento, a poluição, a pesca excessiva e as mudanças climáticas.
Em conjunto, essas ações interrompem a conectividade dos rios, fragmentam os habitats da vida selvagem, alteram os padrões naturais de fluxo e degradam a qualidade da água, prejudicando a biodiversidade única da região e os meios de subsistência de milhões de pessoas.
O relatório alerta que, embora exista uma importante oportunidade de conservação caso as ações sejam rapidamente intensificadas, a falta de uma atuação coordenada em toda a bacia pode fazer com que a Amazônia siga o mesmo caminho de outros sistemas fluviais profundamente alterados, levando a um declínio ecológico significativo. “Em todo o mundo, os esforços de conservação estão cada vez mais voltados à restauração dos ecossistemas depois que os danos já ocorreram. Ao contrário da narrativa predominante na mídia, nosso estudo confirma que a Amazônia oferece uma oportunidade diferente: proteger um sistema de água doce de importância global enquanto ele ainda está em pleno funcionamento”, comenta Fernanda Silva, autora principal e cientista de conservação da pesca de água doce na Amazônia da TNC.
Segundo ela, o relatório também mostra como iniciativas centradas na gestão indígena, em áreas protegidas e na colaboração em toda a bacia já estão gerando resultados que, embora ainda precisem ser fortalecidos e ampliados, representam um modelo para o futuro da conservação da água doce não apenas na Amazônia, mas em todo o mundo.
Proteção indígena
O relatório ressalta até que ponto a extraordinária biodiversidade de água doce da Bacia Amazônica é protegida pelos povos indígenas e comunidades tradicionais e locais, que reúnem conhecimentos ecológicos acumulados ao longo de gerações.
A autora do estudo ressalta que as práticas indígenas de governança protegem muitos dos rios mais preservados e biodiversos da bacia, mantendo a conectividade fluvial diante de pressões cada vez maiores.
De acordo com ela, essa liderança, em conjunto com os paradigmas de conservação de base ocidental, exemplifica algo que já é conhecido: apoiar os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais e locais é fundamental para conservar a biodiversidade e para manter ecossistemas resilientes e garantir comunidades prósperas para as próximas gerações, não apenas na Amazônia, mas em todo o planeta. “Para os povos indígenas, os peixes não são simplesmente um recurso. Eles fazem parte da nossa identidade, dos nossos sistemas alimentares, das nossas histórias e da nossa relação com os rios vivos. Qualquer estratégia para conservar a Amazônia deve reconhecer os direitos territoriais indígenas, respeitar os conhecimentos ancestrais e fortalecer a liderança indígena na proteção das águas que conectam toda a bacia”, afirmou Fany Kuiru Castro, coordenadora-geral da Coica e autora do relatório.
Ao apresentar sua perspectiva sobre o relatório, Paula Caballero, diretora administrativa regional da TNC para a América Latina e uma das principais lideranças na criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, ressaltou que o estudo deixa claro que proteger os sistemas de água doce da Amazônia não é apenas um imperativo ambiental, mas também uma necessidade econômica e social. “Ele apresenta um roteiro de ação que reúne governos, investidores, cientistas e povos indígenas em torno de um objetivo comum: manter uma bacia resiliente e conectada, capaz de sustentar a biodiversidade, os meios de subsistência e a prosperidade regional.”
Para baixar o relatório completo Peixes Esquecidos da Amazônia, acesse aqui.
Fonte: Victor Faverin - Canal Rural
Via: Agência Logística de Notícias
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