O que o vazamento de estireno em Manaus ensina sobre a prevenção de explosões na indústria
Especialista explica como monitoramento contínuo, equipamentos certificados e projetos para áreas classificadas reduzem riscos em instalações que operam com substâncias inflamáveis
O vazamento de vapores de estireno registrado na última quarta-feira (15), em uma indústria do Distrito Industrial de Manaus (AM), apresentou verdadeiros desafios de segurança em instalações que armazenam substâncias inflamáveis. O incidente mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, provocou a evacuação de empresas vizinhas, suspendeu as atividades de 19 escolas e levou mais de 200 pessoas a procurarem atendimento na rede pública de saúde após apresentarem sintomas como irritação nos olhos, dores de cabeça e dificuldades respiratórias.
Apesar de a situação ter sido controlada sem registro de explosão, especialistas avaliam que episódios como esse mostram o potencial de impacto de um vazamento quando gases ou vapores inflamáveis escapam, ainda mais em áreas com movimentação frequente humana. Dependendo das condições do ambiente, esses vapores podem encontrar uma fonte de ignição e provocar incêndios ou explosões, além de representar riscos à saúde, como ocorre com o estireno.
Casos semelhantes continuam sendo registrados em diferentes segmentos da indústria brasileira. Em 2025, um vazamento de gás na plataforma P-52, na Bacia de Campos, levou à interrupção preventiva da produção. No mesmo ano, outra ocorrência na plataforma P-40 resultou na liberação de aproximadamente 104 mil metros cúbicos de gás durante a despressurização do sistema. Embora não tenham causado vítimas, ambos os episódios mostram que a prevenção depende de um conjunto de medidas que começa ainda na fase de projeto das instalações.
Segundo Leandro Ducioni, Coordenador de Serviços de Engenharia da Schmersal, empresa referência em sistemas de segurança para máquinas, automação industrial e áreas classificadas, um dos principais desafios está no armazenamento seguro de líquidos inflamáveis. "Em tanques de armazenamento, um dos maiores riscos é o vazamento de vapores inflamáveis para a atmosfera. Quando esse vapor se mistura ao ar e encontra uma fonte de ignição, pode ocorrer um incêndio ou uma explosão. No caso do estireno, existe um agravante: além de inflamável, ele também é um produto tóxico."
Para reduzir esse risco, o especialista explica que é fundamental acompanhar continuamente as condições de operação dos tanques, monitorando fatores como temperatura e pressão interna. Equipamentos como válvulas de alívio, sensores e instrumentos instalados nesses ambientes também precisam ser certificados para operar em áreas com risco de explosão. "A tecnologia ajuda a identificar alterações antes que elas se transformem em um acidente, mas ela precisa fazer parte de um projeto adequado. Os equipamentos utilizados nessas áreas devem ser certificados e todo o sistema precisa seguir os requisitos previstos nas normas para atmosferas explosivas, desde a especificação até a instalação, inspeção e manutenção", afirma Ducioni.
De acordo com o especialista, quando essas medidas são adotadas de forma integrada, o nível de risco é reduzido significativamente, protegendo não apenas os trabalhadores, mas também as instalações industriais e a população localizada no entorno.
Além das consequências para a saúde e para o meio ambiente, ocorrências envolvendo gases e vapores inflamáveis podem provocar paralisações da produção, prejuízos financeiros e impactos sobre toda a cadeia produtiva. Por isso, especialistas defendem que as empresas revisem periodicamente seus planos de prevenção, mantenham programas de inspeção e manutenção e invistam na capacitação das equipes responsáveis pela operação.
O ideal é que a segurança em áreas classificadas não seja encarada apenas como uma exigência regulatória, mas como parte da estratégia operacional das indústrias que trabalham com substâncias inflamáveis. O objetivo é reduzir a probabilidade de acidentes e garantir maior confiabilidade às operações, protegendo pessoas, patrimônio e o meio ambiente.
Sobre a Schmersal
A Schmersal, líder mundial em sistemas de segurança para Ex, presente em mais de 20 países, com 7 fábricas ao redor do mundo e com um portfólio de mais de 25 mil produtos, entre soluções e acessórios para os segmentos de automação industrial, áreas classificadas, indústria pesada e modernização de elevadores, além de amplo know-how em serviços de consultoria e segurança industrial.
Seus valores e ações incentivam ações e relações seguras, fomentando o cuidado com o meio ambiente e trabalhando para deixar um legado de segurança para as próximas gerações.
Fonte: Ricardo Syozi
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