Dia da Marinha: a soberania começa no mar

11 de junho

Dia da Marinha: a soberania começa no mar

11 de junho 2026 - O Brasil, consagrado por grandiosidade territorial, projeta, igualmente no mar, patrimônio imponente e abundantes recursos. Transitam pela fronteira marítima 97% do volume total de mercadorias importadas e exportadas, correspondentes a 80% do valor do comércio exterior brasileiro. Nos últimos dez anos, o modal marítimo registrou aumento de 79% nas transações comerciais. O Porto de Santos, infraestrutura nevrálgica de logística nacional, responde por 29% do comércio exterior brasileiro e apresentou crescimento de 88% em movimentações entre 2015 e 2025. Trata-se, inequivocamente, de fluxos e infraestruturas críticas às demandas da sociedade.

O mar distingue-se espinha dorsal de matriz energética: 95% do petróleo e 70% do gás natural são extraídos offshore. Em uma década, a produção petrolífera cresceu 70%. A Margem Equatorial desponta nova fronteira de autossuficiência energética, o volume estimado em 30 bilhões de barris, ampliará em 60% as reservas totais. Ademais, projeta-se potencial de geração de energia eólica em mar aberto, capacidade 85 vezes superior à da Usina Hidrelétrica de Itaipu. No setor nuclear, evidencia-se vocação inata. Significativas reservas de urânio, estimadas em 200 mil toneladas, são suficientes para atender à exigência interna por décadas; detém-se o domínio completo do ciclo do combustível e fabrica-se, a partir de tecnologia desenvolvida pela Marinha do Brasil, centrífugas de alta tecnologia necessárias ao enriquecimento voltado a fins pacíficos, conforme preceito constitucional. Domínio de tecnologia autóctone e soberana, materializado na geração nucleoelétrica, concentrado em Angra 1 e 2, com atuais 2 GW de potência instalada e potencial de ampliação.

O setor marítimo é, sobretudo, motor indutor de renda e empregabilidade. Avalia-se que 4,7 milhões de postos de trabalho relacionam-se à Economia Azul. O setor de óleo e gás consignou crescimento de 40% na geração de empregos nos últimos cinco anos e projeta criação de mais 400 mil vagas até 2030. Da mesma forma, o segmento eólico offshore delineia 500 mil novos empregos até 2050. Em associação discreta e, por vezes, distante de percepção geral, a resiliência nacional apresenta gargalo logístico no Atlântico: a produtividade das terras brasileiras depende da integridade das rotas marítimas; 99% dos fertilizantes importados pelo setor agrícola aportam em território nacional por via oceânica e concentram-se em reduzido número de fornecedores globais. Ademais, cabos submarinos são responsáveis por 99% do fluxo de dados que conecta o país.Tais fatos expressam patente indissociabilidade entre o mar e a viabilidade da nação.

Os oceanos evoluíram de via de transporte a reservatório essencial à sobrevivência. Afirmar exploração independente de energia e recursos minerais no Mar é garantir independência ante crises externas e adição à atual matriz energética. A Força Naval garante aos brasileiros, do presente e porvir, acesso à nova fronteira de recursos. O movimento de nações orientadas por distintas cosmovisões, traduz-se, no mar, em ações concretas. Reflexo de estratégias atemporais, fluxos logísticos são interrompidos por bloqueios, asfixiando e pressionando economias; enquanto estreitos, canais e portos convertem-se em ativos de valor estratégico.

A defesa da Pátria no Mar, por características intrínsecas, não se pode apoiar no auxílio de barreiras naturais. Enquanto cordilheiras e biomas de difícil transposição impõem severas limitações ao avanço de grandes contingentes, na fronteira marítima dispõe-se unicamente de capacidade da Esquadra, instrumento ativo de afirmação da soberania.

A Marinha do Brasil, atenta ao contexto internacional, convicta de atribuições e possibilidades de emprego, empreende vigoroso esforço voltado à manutenção e incremento de capacidades em amplo espectro. Refletindo características multifacetadas, a Força Naval revitaliza-se com meios capazes de atuar em apoio às Ações de Estado, especialmente em operações de caráter humanitário e assistência à saúde nos rincões mais distantes do país. Novas capacidades asseguram presença brasileira na Antártica e apoiam a produção científica em áreas de interesse. Programas Estratégicos transcendem outorga de ativo militar, expressam desenvolvimento tecnológico, geração de empregos e salvaguarda de interesses brasileiros. Longe de constituir ônus indevido ao cidadão, consagram legítimo dever do Estado de proteção.

É momento oportuno para rememorar ethos de honra, sacrifício e devoção, imortalizado nas ações de 11 de junho de 1865. Destemidos marinheiros que, sob o intrépido comando de “Atacar e destruir o inimigo o mais de perto que puder”, lançaram-se, com coragem e fervor, ao combate no afluente do Rio Paraná. Atos de sacrifício que, desde então, norteiam marinheiros e fuzileiros, de ofício ou afeição, a honrar legado forjado no embate de aço e fogo da Batalha Naval do Riachuelo. Dos rios da fronteira Oeste à vastidão do Atlântico Sul, perpetua-se continuidade de espírito: os “Homens do Mar”, quando forem demandados, jamais se arredarão do combate.

                                                              Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen
                                                                          Comandante da Marinha

 

Fonte: ACS/Marinha do Brasil

Via: Agência Logística de Notícias

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