Com Selic mantida em 15% ao ano, consórcio ganha força como alternativa ao crédito tradicional

Os consumidores passam a valorizar modelos de aquisição sem juros e com maior previsibilidade de custos

Com Selic mantida em 15% ao ano, consórcio ganha força como alternativa ao crédito tradicional

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, patamar mais elevado em quase duas décadas. A decisão reforça um cenário de crédito restrito no país, com impacto direto sobre modalidades como financiamentos imobiliários e de veículos, cujas taxas acompanham o movimento dos juros e tornam o custo final dessas operações ainda mais elevadas.

Diante disso, soluções que não dependem diretamente da Selic passam a ganhar espaço no planejamento financeiro dos consumidores. É o caso do consórcio, que permite a aquisição de bens de forma programada, sem cobrança de juros, e que vem se consolidando como alternativa ao crédito tradicional em momentos de aperto.

Crescimento do sistema de consórcios mesmo com juros elevados

Dados da ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios) mostram que o setor manteve uma trajetória consistente de crescimento ao longo de 2025, mesmo em um ambiente econômico desafiador.

De janeiro a novembro, foram vendidos cerca de 4,78 milhões de cotas, volume 14,6% superior ao registrado no mesmo período de 2024 e considerado recorde histórico para o sistema. No mesmo intervalo, o volume de créditos comercializados por meio de consórcios alcançou aproximadamente R$ 467 bilhões, representando um avanço de 31,9% na comparação anual.

O número de participantes ativos também cresceu de forma expressiva. Em novembro de 2025, o sistema ultrapassou a marca de 12,7 milhões de consorciados ativos, alta de cerca de 13,5% em relação ao ano anterior, evidenciando a maior adesão dos brasileiros a esse modelo de aquisição planejado.

De acordo com Luis Toscano, vice-presidente de vendas e marketing da Embracon, esses dados indicam que, mesmo com juros elevados, o consórcio segue sendo visto como uma alternativa viável e estratégica para a compra de bens de maior valor.

Impactos da Selic elevada no crédito e no comportamento do consumidor

A manutenção da Selic em 15% ao ano mantém o custo efetivo total de produtos de crédito tradicionais, especialmente nos financiamentos de longo prazo. Toscano explica que, nesse contexto, o consumidor tende a adotar uma postura mais cautelosa, priorizando modalidades que apresentam maior previsibilidade e menor impacto financeiro ao longo do tempo.

"É nesse cenário que o consórcio se fortalece, ao permitir o parcelamento integral do valor do bem, sem exigência de entrada e sem incidência de juros. Além disso, após a contemplação, o crédito pode ser utilizado como pagamento à vista, o que amplia o poder de negociação na compra de imóveis, veículos ou outros bens, especialmente em momentos de mercado mais restritivos", destaca.

Consórcio como ferramenta de planejamento financeiro

Ao unir disciplina financeira, previsibilidade de parcelas e ausência de juros, o consórcio vem sendo incorporado não apenas por consumidores que buscam o primeiro bem, mas também por quem deseja investir ou reorganizar seu planejamento patrimonial.

O desempenho do setor em 2025, mesmo com a Selic em níveis elevados, reforça esse papel do consórcio como instrumento de planejamento de médio e longo prazo.

A Embracon, uma das maiores administradoras independentes de consórcios do país, acompanha esse movimento de maior procura pela modalidade. Segundo o executivo, a combinação entre juros altos, crédito mais caro e necessidade de organização financeira tende a sustentar o interesse pelo consórcio ao longo de 2026, especialmente enquanto os cenários são restritivos.

Perspectivas para 2026

“Com a Selic mantida em patamar elevado e o mercado atento aos próximos passos da política monetária, a expectativa é de que o consórcio continue ganhando relevância como alternativa ao financiamento tradicional”, avalia Toscano.

Segundo ele, o desempenho recente do setor indica que, em momentos de juros altos, o consumidor brasileiro busca cada vez mais soluções que privilegiem planejamento, previsibilidade e menor custo financeiro no longo prazo.

Sobre a Embracon 

A Embracon está há mais de 35 anos no mercado de consórcios e já entregou mais de meio milhão de bens. A empresa é autorizada e fiscalizada pelo Banco Central do Brasil e associada à ABAC (Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios). A empresa possui cerca de 90 filiais próprias, 50 franquias e 1.000 parceiros de negócios, incluindo varejistas, institucionais, montadoras, cooperativas de crédito, bancos, empresas de máquinas agrícolas e mais de 3 mil colaboradores celetistas.   

 

Fonte: Embracon:

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