Defasagem no preço do diesel no Brasil eleva risco de adulteração do combustível
Para o diretor da Lepam e diretor de comunicação e relações institucionais do Sindilub, Thiago Castilha, essas alterações comprometem propriedades fundamentais do combustível
O preço do diesel no Brasil apresentou uma defasagem em relação ao mercado internacional — o preço do combustível está 60% mais barato no mercado nacional em comparação com o exterior, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Essa situação acende um alerta para o setor: cenários de distorção de preços podem aumentar o risco de adulteração ao longo da cadeia de distribuição, afetando consumidores, transportadores e gestores de frota.
De acordo com o diretor da Lepam e diretor de comunicação e relações institucionais do Sindilub, Thiago Castilha, a adulteração do diesel envolve normalmente a mistura de substâncias mais baratas para ampliar margens de lucro ilegalmente. “Entre os principais adulterantes estão solventes, frações leves de petróleo e óleos residuais. Em alguns casos, também ocorre o uso de biodiesel fora das especificações ou em proporções diferentes das permitidas. Essas alterações comprometem propriedades fundamentais do combustível, como estabilidade, segurança e desempenho”, explicou.
Segundo ele, não existe uma única forma de adulterar diesel, mas o objetivo econômico é sempre o mesmo: reduzir custos de maneira fraudulenta.
IMPACTOS DA ADULTERAÇÃO DO DIESEL
A adulteração pode comprometer parâmetros técnicos importantes do combustível, como ponto de fulgor, viscosidade, número de cetano, presença de água e estabilidade química. Do ponto de vista prático, isso pode afetar diretamente o funcionamento do motor. “Quando o diesel está fora das especificações, a combustão tende a ser menos eficiente. Isso pode aumentar o consumo, gerar falhas em filtros e sistemas de injeção e até reduzir a vida útil do motor”, afirmou Castilha.
Embora a confirmação de adulteração dependa de análises laboratoriais, alguns sinais podem indicar que há algo errado com o combustível. Entre os principais indícios estão alterações na aparência do diesel, presença de água ou turbidez, falhas frequentes em filtros e injetores, aumento inesperado no consumo do veículo e preços significativamente abaixo da média de mercado. “Testes de campo podem levantar suspeitas, mas a confirmação depende de análises técnicas que avaliam parâmetros como curva de destilação, viscosidade, número de cetano e estabilidade do combustível”, explicou o especialista.
Além de causar danos mecânicos, a adulteração de combustíveis gera impactos econômicos mais amplos. A prática está frequentemente associada à sonegação fiscal, concorrência desleal e perda de arrecadação pública, afetando toda a cadeia formal do setor.
COMBATE À ADULTERAÇÃO DO COMBUSTÍVEL
Para o executivo, o combate à adulteração passa pelo fortalecimento de mecanismos de controle ao longo de toda a cadeia logística. Entre as medidas mais eficazes estão sistemas de rastreabilidade por lote, boletins de conformidade, monitoramento de água em tanques, registros documentais e auditorias periódicas de fornecedores e transportadores.
“Tecnologias como sensores de água, monitoramento remoto e sistemas digitais de rastreabilidade ajudam a reduzir o espaço para fraudes e aumentam a transparência no abastecimento”, afirmou Castilha.
Dessa forma, momentos de grande diferença entre preços domésticos e internacionais tendem a ampliar a vigilância sobre a qualidade dos combustíveis. “Nesses períodos, é fundamental que consumidores e empresas priorizem fornecedores confiáveis, mantenham registros de abastecimento e fiquem atentos a qualquer alteração no desempenho dos veículos”, enfatizou o executivo.
CENÁRIO ATUAL DO DIESEL
Esse cenário acontece em um momento de alta volatilidade no mercado de combustíveis.No Brasil, a Petrobras anunciou uma alta de 11,6% no preço do diesel A vendido às distribuidoras — o equivalente a R$ 0,38 por litro. O reajuste deve resultar em um aumento de R$ 0,32 por litro no diesel B, considerando a mistura obrigatória com biodiesel.
Porém, o impacto seria de R$ 0,70 caso o Governo Federal não tivesse suspendido a cobrança dos impostos do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
A suspensão foi estabelecida em um pacote de ações anunciado para conter os efeitos da volatilidade do petróleo no mercado internacional sentida nas últimas semanas, causados pela guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã e pelas tensões no entorno do Estreito de Ormuz.
De forma prática, a medida, que zera os dois impostos federais sobre o diesel, é responsável por reduzir R$ 0,32 por litro. Desse modo, com o reajuste anunciado pela Petrobras, o combustível sentirá um impacto estimado de R$ 0,06 por litro.
Como reflexo da alta no valor do combustível, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou atualização dos valores dos pisos mínimos de frete do transporte rodoviário de cargas em decorrência da variação no preço do Diesel S10. Isso porque a Lei nº 13.703/2018 determina que a tabela seja reajustada sempre que ocorrer oscilação no valor do combustível superior a 5%.
De acordo com a autarquia, com o acionamento do gatilho, os reajustes médios da tabela de frete foram os seguintes, de acordo com o tipo de operação:
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Tabela A – transporte rodoviário de carga de lotação: 4,82%
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Tabela B – veículo automotor de cargas: 5,57%
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Tabela C – transporte rodoviário de carga de lotação de alto desempenho: 6,15%
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Tabela D – veículo de cargas de alto desempenho: 7,00%
Fonte: Redação - Mundo Logística
Via: Agência Logística de Notícias
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