Diesel em alta: O desafio do frete no início de 2026
No cenário doméstico, política de preços da Petrobras traz incertezas quanto aos movimentos futuros, tornando o ambiente interno instável e dificultando projeções de curto prazo
O mês de janeiro de 2026 foi marcado por volatilidade nos principais indicadores que influenciam o preço dos combustíveis no Brasil e no mundo, refletindo o aumento das tensões geopolíticas e oscilações macroeconômicas.
No mercado internacional, os preços do petróleo subiram de forma significativa ao longo do mês, impulsionados principalmente pela escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, fator que elevou o prêmio de risco nos preços do petróleo, que chegaram a superar os US$?70 por barril em alguns momentos, patamar não visto há meses.
Esse movimento de alta ocorreu apesar de projeções apontarem a média anual do Brent em 2026 próxima de US$?55 por barril, segundo estimativas de mercado que apontam para pressão baixista estrutural no petróleo em 2026 causada pelo excesso de oferta e estoques globais elevados.
Um dos elementos que impulsionou o petróleo foi, de fato, o receio de interrupções no fornecimento, ainda que grande parte desses temores seja associada a fatores geopolíticos e não a choques efetivos de oferta, e a possibilidade de o estreito de Hormuz, rota estratégica por onde escoa cerca de 20% da produção global de petróleo, ser afetado por hostilidades.
O aumento do petróleo foi, em parte, compensado por uma queda abrupta na cotação do dólar. Ainda assim, essa desvalorização cambial não foi suficiente para eliminar a defasagem entre os preços domésticos e os internacionais.
No início do mês, observou-se nos portos brasileiros a chegada de produtos importados com preços inferiores aos praticados internamente pela Petrobras. No entanto, a alta do petróleo inverteu esse cenário, reacendendo a possibilidade de reajuste nos preços pela estatal, com a defasagem chegando a 15%, segundo dados da ABICOM.
A Petrobras chegou a realizar um reajuste no preço da gasolina no final de janeiro, com redução de R$?0,14 por litro, mas manteve o diesel inalterado. O último ajuste no valor do diesel ocorreu em maio de 2025, ou seja, há nove meses.
Do ponto de vista do diesel importado, essencial para suprir a demanda nacional, as quedas registradas em dezembro de 2025 não se refletiram nos preços praticados nas primeiras semanas de janeiro. O biodiesel, segundo dados da ANP, também registrou reduções relevantes, o que em teoria criaria um cenário favorável para queda de preços em determinadas regiões do país.
DIESEL, ICMS E PREÇOS NAS BOMBAS ENTRAM NO RADAR
No entanto, apesar desses elementos de viés baixista, os preços nas bombas subiram, pressionados pelo reajuste no ICMS de R$?0,05 por litro. Distribuidoras e postos, em meio à tradicional queda no consumo de diesel no período de festas de fim de ano, demonstraram cautela para aplicar reduções nos preços, sobretudo diante da instabilidade nas cotações internacionais.
A volatilidade no preço de paridade de importação e a incerteza sobre eventuais movimentos da Petrobras geraram um cenário de espera no início do ano.
Apesar disso, há também boas notícias. Nas últimas semanas de janeiro, foi possível observar quedas pontuais no preço do diesel, especialmente em regiões com maior presença de produto importado, como Maranhão e Tocantins. Torna-se importante, agora, acompanhar se essas quedas se estendem a outros mercados regionais.
O que fica evidente é que o mercado segue altamente dinâmico, com influência direta das tensões geopolíticas que vêm se intensificando nos últimos anos. No cenário doméstico, a política de preços da Petrobras traz incertezas quanto aos seus movimentos futuros, tornando o ambiente interno instável e dificultando projeções de curto prazo, especialmente considerando a relevância da estatal na formação dos preços de combustíveis no Brasil.
A previsibilidade continua sendo um desafio para o transportador, exigindo planejamento constante e monitoramento atento dos movimentos do mercado.
* Vitor Sabag: É especialista em combustível do Gasola by nstech.
Fonte: Mundo Logística
Via: Agência Logístia de Notícias
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