Tecnologia e governança: 5 caminhos para mitigar riscos no crédito agro que já movimenta R$ 404 bilhões

CONACREDI reúne cinco recomendações para tornar a concessão de crédito mais segura, integrada e orientada por dados

Tecnologia e governança: 5 caminhos para mitigar riscos no crédito agro que já movimenta R$ 404 bilhões

São Paulo, agosto de 2026 – Com o crédito rural brasileiro movimentando centenas de bilhões de reais e um cenário marcado por maior exposição a riscos, a adoção de novas práticas de análise, monitoramento e governança ganha espaço entre os agentes do agronegócio. A partir dos debates promovidos pelo CONACREDI, congresso que reúne gestores de crédito de indústrias, tradings, revendas, cooperativas e instituições financeiras, cinco caminhos se destacam para tornar as operações mais seguras e sustentáveis: utilizar inteligência artificial como apoio à decisão, monitorar o risco durante toda a safra, compartilhar informações entre os agentes, aproximar as áreas comercial e de crédito e fortalecer a governança das garantias e concessões. O movimento ocorre em um mercado no qual o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) registrou R$ 404 bilhões em recursos contratados pelo crédito rural empresarial entre julho de 2025 e março de 2026, alta de 10% sobre o mesmo período da safra anterior.

Para Mayra Delfino, CEO do CONACREDI, a transformação do crédito agro passa pela combinação entre tecnologia, conhecimento técnico e acompanhamento das operações. “A tecnologia amplia a capacidade de análise, mas não elimina a responsabilidade de quem toma a decisão. No crédito agro, o uso de dados precisa estar associado à governança, interpretação técnica e acompanhamento da operação”, afirma. Nesse contexto, a experiência discutida pelo CONACREDI aponta para cinco práticas que podem contribuir para decisões mais seguras e para uma gestão mais eficiente do risco, desde a análise inicial até o monitoramento das operações ao longo da safra.

1. Usar a inteligência artificial para ampliar, não substituir, a análise de crédito

A inteligência artificial pode apoiar diferentes etapas da concessão de crédito, desde a identificação de sinais de deterioração da carteira até o cruzamento de dados financeiros, comportamentais e cadastrais. A recomendação é utilizar modelos preditivos e ferramentas de automação para aumentar a velocidade e a capacidade analítica das equipes, mantendo a validação humana e critérios de governança na tomada de decisão.

2. Monitorar o risco durante toda a safra, e não apenas na concessão

A análise realizada no momento em que o crédito é concedido oferece apenas uma fotografia da operação. No agronegócio, fatores climáticos, produtividade, preços das commodities e condições da lavoura podem alterar o risco ao longo da safra. Por isso, o acompanhamento contínuo de indicadores climáticos, imagens de satélite, evolução da produção e comportamento do produtor pode ajudar a identificar alterações nas condições da operação antes que elas resultem em inadimplência. O cenário reforça a importância desse acompanhamento: o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou, em janeiro de 2026, uma produção de 339,8 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas para a safra 2026, enquanto a produção de 2025 havia alcançado 346,1 milhões de toneladas.

3. Compartilhar informações para construir uma visão mais completa do risco

Cooperativas, tradings, revendas, instituições financeiras e empresas de tecnologia possuem diferentes informações sobre produtores e operações. A integração desses dados pode reduzir assimetrias de informação e contribuir para análises mais consistentes. “O crédito agro envolve uma cadeia inteira, e a qualidade da decisão melhora quando os agentes conseguem transformar informações dispersas em inteligência para a concessão e o acompanhamento. Essa integração também ajuda a criar uma visão mais consistente sobre o risco”, explica Mayra Delfino.

4. Aproximar as áreas comercial e de crédito

A expansão da carteira não precisa estar dissociada do controle de risco. A aproximação entre as equipes comercial e de crédito permite compartilhar informações, estabelecer políticas em conjunto e alinhar as decisões às condições de cada operação. Para o CONACREDI, esse trabalho integrado também passa pela capacitação das equipes e dos produtores, contribuindo para decisões mais equilibradas, crescimento sustentável da carteira e menor exposição ao risco. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as operações com Cédula de Produto Rural (CPR) cresceram 39% entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, indicando a evolução de instrumentos utilizados no financiamento da atividade agropecuária.

5. Fortalecer a governança por trás das garantias

Instrumentos como CPRs digitais, seguros agrícolas e novas estruturas de garantias ampliam as possibilidades de proteção das operações, mas precisam estar inseridos em uma estrutura mais ampla de governança. Documentação adequada, critérios claros de concessão, acompanhamento da operação e estruturas jurídicas capazes de oferecer previsibilidade são pontos importantes para a segurança do crédito, especialmente em um ambiente de maior complexidade. A governança, portanto, deve acompanhar toda a operação, desde a análise inicial até o monitoramento da carteira. “Governança não é uma etapa posterior à concessão. Ela precisa estar presente desde a análise, passando pela estruturação das garantias e chegando ao monitoramento da carteira. É isso que permite que o crédito continue financiando o crescimento do agro sem perder de vista a sustentabilidade das operações”, afirma Mayra Delfino.

As cinco práticas serão discutidas em profundidade durante o CONACREDI 2026, que terá como mote “Governança: o que sustenta o crédito agro em um mercado cada vez mais exposto a riscos, desafios, oportunidades, aprendizados e decisões que estão redefinindo o setor”. O congresso acontece nos dias 11 e 12 de novembro de 2026, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP), e reunirá profissionais envolvidos na gestão e concessão de crédito do agronegócio.

Sobre o CONACREDI:

Criado em 2018, o Congresso Nacional de Crédito no Agronegócio é o único congresso brasileiro que reúne gestores de crédito de indústrias, tradings, revendas, cooperativas e instituições financeiras para abordar sobre a concessão de crédito no Agronegócio. Anualmente, o evento debate as melhores práticas, inovações tecnológicas e tendências do mercado, criando um ecossistema de networking para profissionais e C-Levels do setor.

Site: www.conacredi.com.br

Fonte: Gabriel Moreira

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