Movimentação em portos e ferrovias cresce em 2026; rodovia e aéreo recuam, aponta CNT
Dados foram revelados pelo Boletim Unificado, elaborado pela Confederação Nacional do Transporte; geração de empregos formais também apresentou saldo positivo no período
Os portos brasileiros movimentaram 103,9 milhões de toneladas em janeiro de 2026 — número 12,2% maior que o registrado no mesmo período de 2025. Segundo o Boletim Unificado elaborado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), o aumento de demanda também foi registrado pelas ferrovias, que transportaram 4,2% a mais no primeiro trimestre de 2026. Do outro lado, os modais rodoviários e aéreos apresentaram queda nas operações de transporte de cargas no Brasil.
Mesmo com esse cenário misto, o transporte rodoviário segue liderando a matriz com 64,85% de participação nas cargas movimentadas pelo país. Em seguida, está o ferroviário com 14,95%, a cabotagem com 10,47%, o hidroviário com 5,25%, o dutoviário com 4,45% e o aéreo com apenas 0,03%.
CRESCIMENTO DOS PORTOS EM 2026
De acordo com as informações da CNT, a navegação de longo curso foi responsável pela movimentação de 68,2% do volume total. Na sequência, aparecem a cabotagem (26,3%) e a navegação interior (5,3%). Entre as instalações portuárias, a entidade apontou que o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira liderou o transporte em janeiro de 2026, com 10,17 milhões de toneladas.
A movimentação dos portos brasileiros ficou concentrada em granéis sólidos (52,6%) e granéis líquidos e gasosos (30%). As operações também incluíram 12,7% de cargas conteinerizadas e 4,8% de carga geral.
O cenário de crescimento dos portos brasileiros reforça a tendência de 2025 para o setor: o transporte aquaviário brasileiro movimentou 1,4 bilhão de toneladas no último ano, uma alta de 6,1% em relação a 2024.
Ao mesmo tempo, os investimentos no setor aumentam. Em 2025, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) apresentou a agenda de investimentos para 2026, com 18 leilões portuários, quatro canais de acesso, cinco projetos de concessão de hidrovias e R$ 586 milhões destinados à infraestrutura hidroviária.
Os planos começaram a se concretizar e, em fevereiro de 2026, o MPor e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) realizaram o leilão do primeiro bloco de arrendamentos portuários do ano. De acordo com a pasta, o certame assegurou a contratação de terminais nos portos de Santana (AP), Natal (RN) e Porto Alegre (RS), com previsão de mais de R$ 226 milhões em investimentos privados.
TRANSPORTE FERROVIÁRIO
Além dos portos, as ferrovias também registram um aumento no volume de cargas movimentadas durante o primeiro trimestre de 2026. Conforme o levantamento da CNT, foram movimentados 74,69 milhões de toneladas úteis (TU) pelos trilhos do país entre janeiro e março — crescimento de 4,2% em comparação ao mesmo período de 2025.
A movimentação ferroviária ficou concentrada na Estrada de Ferro Carajás (EFC), que transportou 22,04 milhões de toneladas úteis no período. A MRS Logística foi responsável pelo transporte de 21,57 milhões de toneladas e a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) movimentou 15,63 milhões de toneladas.
As ferrovias também estão na mira dos investimentos do Governo Federal. O Ministério dos Transportes anunciou uma carteira de projetos ferroviários com previsão de oito leilões e até R$ 656 bilhões em recursos mobilizados para o setor. A estimativa inclui cerca de R$ 140 bilhões em investimentos diretos na malha ferroviária.
Para o presidente da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), Antonio Luiz Leite, o atual ciclo de investimentos representa uma oportunidade relevante, mas que ainda exige planejamento de longo prazo. “Se o país quiser reconstruir o modal ferroviário de forma consistente, será necessário priorizar a integração entre modais, ampliar a participação das ferrovias no transporte de carga geral e garantir um ambiente regulatório que favoreça investimentos sustentáveis e de longo prazo”, afirmou.
CARGAS TRANSPORTADAS PELAS RODOVIAS
Na contramão dos portos e das ferrovias, o transporte rodoviário de cargas registrou uma queda nas cargas movimentadas nos três primeiros meses de 2026. No primeiro trimestre de 2025, as rodovias brasileiras movimentaram 20,83 milhões de toneladas de soja, milho e farelo. Um ano depois, o volume caiu para 19,68 milhões de toneladas — queda de 5,55%.
Mesmo assim, o transporte rodoviário continua sendo a principal resposta logística para a economia brasileira. De acordo com o Anuário TRC 2025, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o setor registrou 80,4 milhões de viagens e movimentou cerca de 1,4 bilhão de toneladas de cargas ao longo do ano passado.
Para o presidente-executivo da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT), Luis Henrique Teixeira Baldez, a oferta limitada de ferrovias, hidrovias e cabotagem faz com que o caminhão continue exercendo papel fundamental na movimentação de mercadorias. “O que nos resta é o sistema rodoviário brasileiro. Ele nos dá a resposta que precisamos. O pior seria não ter o sistema rodoviário que temos”, completou o executivo.
Além disso, o transporte rodoviário de cargas passou a operar sob um modelo de fiscalização eletrônica mais rigoroso e integrado em 2026. As mudanças envolvendo o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) ampliaram o nível de controle sobre as operações, com o cruzamento automático de informações fiscais, regulatórias e operacionais pelos sistemas.
DADOS DO AÉREO
Em relação ao transporte aéreo, o modal transportou 347,32 mil toneladas de carga paga e correios entre janeiro e março de 2026 — queda de 3,07% em comparação com o mesmo período no ano anterior.
De acordo com o documento da CNT, também houve um recuo de 5,76% nas cargas transportadas no segmento doméstico ao somar 108,94 mil toneladas no primeiro trimestre. Já os voos internacionais movimentaram 238,38 mil toneladas de carga e correios entre janeiro e março de 2026, representando um recuo de 1,79%.
No primeiro trimestre do ano, os voos internacionais foram responsáveis por 68,6% de toda a carga paga e correios transportados e as operações domésticas representaram 31,4% do volume movimentado.
TRABALHO NO TRANSPORTE EM 2026
Segundo a CNT, entre janeiro e março de 2026, o setor de transporte registrou 390.585 admissões e 351.415 desligamentos. Dessa forma, o trimestre encerrou com um saldo positivo da geração de 39.170 empregos formais.
Conforme apurado pela MundoLogística, os dados mais atualizados do CNT Data revelam que motoristas de caminhão em rotas regionais e internacionais foram a ocupação com o maior número de admissões no setor de transporte em 2026, somando 106.568 contratações até abril. A lista seguiu com contrações de auxiliar de logística (60.776) e ajudante de motorista (29.807).
Fonte: Ana Beatriz Rodrigues - Mundo Logística
Via: Agência Logistica de Notícias
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